Saiba usar o clima a seu favor

 

Correr aumenta a temperatura corporal, o que pode ser um problema de acordo com o clima no dia da prova. O calor associado à umidade alta afeta a capacidade do corpo de se resfriar – eliminar calor pelo suor –, o que pode levar a um superaquecimento. E o organismo começa a desviar recursos necessários à performance para manter o corpo frio. “Para tentar evitar o problema, é fundamental não descuidar da hidratação, usar roupas que ajudem a dissipar o calor e sempre prestar atenção no corpo”, afirma o médico Renato Baena, especialista em nutrologia e fisiologia do exercício.

O PLANO – Uma maneira de combater a elevação da temperatura interna do corpo é o “pré-esfriamento”: ao se reduzir a temperatura média de um atleta abaixo de 37 graus antes de uma prova, vai demorar mais tempo para o organismo aquecer até níveis desconfortáveis. Maratonistas de elite se resfriam previamente vestindo coletes caros, mas você pode reproduzir esse efeito encharcando uma camiseta na água, colocando-a no freezer na noite anterior à prova e vestindo-a antes da largada. Mas atenção: ela jamais pode ser usada durante a prova, porque funcionaria como uma barreira à evaporação do suor. Outra técnica seria fazer uma “raspadinha” de bebida esportiva e consumir antes da prova. Corredores de esteira que tomaram uma raspadinha antes do treino conseguiram correr por mais tempo em condições de calor e umidade alta, de acordo com um estudo de 2010 publicado no periódico Medicine & Science in Sports & Exercise.

Durante o percurso, derrame água sobre a cabeça. O pescoço e o rosto são bastante sensíveis ao resfriamento quando você está aquecido. Se você resfriar essas regiões, vai se sentir melhor e turbinar a performance. Mesmo assim, você precisa repensar seu plano de prova. Segundo especialistas, a temperatura ideal para correr é 10º C. Reduza o ritmo em 2% a 3% se estiver 15º C; de 6% a 7% para 21º C, 12% a 15% para 26,5º C e 18% a 20% para 29,5º C. Se você não ajustar o ritmo, há o risco de percorrer a segunda metade da prova muito mais lento e com mais dificuldade do que a primeira parte.

A previsão: chovendo, úmido, frio

A maioria dos especialistas concorda que é melhor correr no frio que no calor, porque a temperatura externa não vai aumentar sua temperatura corporal para níveis perigosamente altos. Peças molhadas, no entanto, podem ser desconfortáveis, e o atrito da pele úmida contra a roupa pode provocar bolhas e irritação.

O PLANO – Os corredores podem amarrar sacos plásticos em volta dos tênis se estiver chovendo enquanto estiverem na concentração e, então, tirá–los antes da largada. Também vale fazer alguns furos e vestir um saco de lixo. Essas duas medidas devem manter seus pés e corpo aquecidos — a pele úmida tende a esfriar mais rapidamente porque a água rouba o calor da pele.

Claro que, se ainda estiver chovendo depois da largada, seus pés e seu tronco vão ficar molhados. Se for uma corrida longa, recrute um amigo para encontrá-lo em algum ponto do percurso a fim de lhe entregar roupas secas. “Nada vai prejudicar seu trajeto mais do que meias e camiseta molhadas”, diz o treinador americano Jeff Gaudette, que também sugere besuntar vaselina em toda a pela exposta: rosto, braços, mãos e pernas. Ela é à prova d’água e atua como um isolante ao segurar o calor do corpo. “Na chuva fria, isso vai permitir que você vista menos roupa e continue aquecido”, diz Gaudette. “Se a roupa molhar, quanto mais roupa estiver usando, maior o prejuízo.

Use o mínimo possível.” Vaselina também é boa para evitar o atrito: aplique nos pedaços de pele que ficam em contato com a roupa.

Derrapar é um risco quando você está correndo em pistas molhadas, por isso, aterrisse a cada passada com o pé logo abaixo do tronco. O jeito mais fácil de fazer isso é aumentar o ritmo para o mais perto possível de 180 passos por minuto. Além disso, evite pisar nas linhas brancas pintadas na pista e tome cuidado em pontes, pois tendem a ser escorregadias.

Após cruzar a linha de chegada, vista roupas secas o mais rápido possível e beba alguma coisa quente.

A previsão: relâmpagos, trovões

Um clima ruim pode atrasar o início da prova e talvez até cancelá-la. Correr nessas condições é tão perigoso que vários eventos de grande porte chegaram a contratar meteorologistas para fornecer informações ao staff da prova. “Isso nos permite ter informações em tempo real”, afirma Megan Bulla, porta-voz da minimaratona 500 Festival de Indianápolis, nos Estados Unidos.

O PLANO – Dada a imprevisibilidade da mãe natureza, é bom estudar o percurso e ter em mente um plano básico de evacuação no caso de relâmpagos, por exemplo. Segundo especialistas em meteorologia, ao ouvir trovões ou vir raios, é preciso correr imediatamente para uma construção segura ou veículo com teto metálico e ficar ali por 30 minutos depois do último estrondo de trovão. Já tornados (felizmente) são muito raros no Brasil. Porém, se você e sua prova um dia forem “escolhidos”, o carro não é seguro; vá para um lugar subterrâneo ou espaço fechado, longe de janelas.